abril 29, 2004

Há dias estranhos!

Gostava de dizer que era uma moça feliz e equilibrada... mas não é verdade!
Às vezes penso nisso, porque é que não consigo ter uma vidinha normal como toda a gente? Cheguei a uma conclusão… o meio envolvente não permite.
Hoje por exemplo: sinto que estou no meio de um filme realizado por um maluco e que ninguém me avisou qual é o meu papel, nem quais são as minhas deixas, nem se tenho que chorar ou rir, ou ir à padaria, ou outra coisa qualquer.
O dia começou logo mal. Quando apanhei o meu transporte diário constatei que as personagens do filme em que entrei sem querer eram caricaturas moldadas a plasticina, com grandes testas e caras esborrachadas… estavam ridiculamente vestidas e actuavam com gestos exagerados e estúpidos. Começando pela gaja ao meu lado, foi escolhida uma vestimenta preta, misturada com cor-de-rosa “choc” e rendas brancas. O gajo que era suposto seduzi-la, sentado à frente dela, engatatão, cabelo lambido, perninha cruzada, esticava e encolhia os lábios, como se estivesse a imitar um macaco. Reparei também noutra personagem, estilo professor pardal dos livrinhos de quadradinhos, caracterizado com uma cabeça desumanamente anormal, alto e magro, careca em cima, cabeludo dos lados...
Saí do transporte, e sem saber a cena seguinte vou contra a um velho que resolveu fingir que estava a voar nesse instante. Eu própria quando fui beber café pedi uma tesoura para cortar a etiqueta da camisola nova que escolhi vestir…
Finalmente cheguei ao trabalho (pensei eu!). Também aqui o meio envolvente não permite que eu seja uma pessoa calma e sensata… Lembro-me dos meus primeiros dias neste sítio, em que chorei durante algumas semanas e arrependi-me bastante de ter trocado de emprego. Lembro-me do gajo que distribuía correio, cara vermelha, olhos enormes claros, que não tinha um braço… Lembro do chefe da secretária, anão e careca que fazia tudo num instante e não aparecia nada feito… Lembro-me do Senhor das fotocópias que recitava poemas obscenos e tirava as cópias que queria, quando queria e a quem queria... e que cuspia para as mãos... Acho que casou (não imagino como)!... Lembro-me de um senhor muito velho e alto, fechado numa sala às voltas, como se fosse o tio patinhas a pensar… Lembro-me do chefe máximo… juro que o vi por várias vezes vestido com camisas roxas e laranjas e sapatos verdes… aos berros! Tudo boas recordações!
Hoje senti-me particularmente perdida neste filme.
-Bom Dia!... Preciso de material!
-Só da parte da tarde, responde a voz das duas unhas pintadas de vermelho segurando um cigarro mal tratado...
Obviamente, por questões de respeito, não vou comentar as conversas com a minha mãe, igualmente sem sentido, e outras que não posso revelar…

Publicado por Magnólia em 07:01 PM | Comentários (2)

abril 27, 2004

Orientação

Porra, eu não queria fazer queixinhas, mas tenho que contar…
No último fim-de-semana participei, pela primeira vez num exercício de orientação realizado na serra do caldeirão. Confesso que sou uma tipa de cidade e nunca me senti muito atraída pelas actividades no campo (acho que se visse um peru, um pato e um galo não saberia distingui-los) … Antes de ir imaginei montes de répteis, insectos e animais de grande porte, tipo javalis e cães, cheguei inclusivamente a temer encontrar ursos… Já me imaginava refém de um urso, amarradinha a uma árvore, a servir de dispensa… Por isso confesso que não estava muito confortável em perder-me numa serra com 2 primas e um amigo.
Primeira prima: 26 anos, pavor a insectos, hiper distraída (a ideia que dá é que dorme 24 horas por dia) ao ponto de não saber onde é a casa onde passa férias há mais de 8 anos...
Segunda prima: 29 anos, pânico de insectos, determinada com um mapa na mão, fisicamente muito resistente, dava um salto cada vez que ouvia um lagartinho a passar… e trazia saltos altos.
Amigo: homem, (bastava este defeito), desorientado, facilmente enganado pelas “dicas” das outras equipes…
Eu: sem defeitos graves a apontar…
A prova começou muito bem, até ao ponto nº 5. Depois quando estávamos a procurar o nº 6, encontramos o nº 8… Foi a partir daqui que a coisa complicou… tínhamos passado os pontos 6 e 7 sem dar por eles. O problema é que pensamos que estávamos numa estradinha, que, quando o mapa foi feito não existia…
Perante esta dificuldade, o amigo (homem) resolveu fazer espionagem a outra equipe de 4 loiras… E resolveu subir o monte mais alto da Serra com as loiras, o que nos fez perder mais de uma hora… Vá lá que as moças eram porreiras e quando nós as três os apanhamos, distribuíram bolachas e maças… muito porreiro!
Conclusão, não apanhamos esses dois pontos, a prima mais nova desistiu cansada e com dores no joelho, ficamos em penúltimo e fizemos mais do dobro do tempo das primeiras equipes… Lição a tirar desta experiência: Não fazer espionagem a equipes loiras e não fazer equipe com homens que gostam de loiras… é indescritivelmente cómico olhar de longe para 4 mulheres, devidamente equipadas com bonés, mochilas e mapas a tentar saber onde estão…
Outra lição importante: não participar em provas de orientação sem saber o que significa os risquinhos azuis e castanhos, os tracejados ou os outros, as arvorezinhas desenhadas, os quadradinhos pretos, enfim… sem saber ler mapas!
Para acabar o dia, o almoço estava óptimo, a sesta soube muito bem e o Benfica ganhou!
Esta experiência é para repetir!

Publicado por Magnólia em 09:26 PM | Comentários (3)

Bom Dia!

Primeiro despertador… Ainda é cedo! Segundo: Não me está a apetecer nada…Terceiro e ultimo: a cama está tão boa… Uma hora depois do último (hora de entrada): -F***-se, C***lho, sempre a mesma coisa, não presto mesmo para nada, ainda por cima hoje que tinha não sei o quê para fazer! Vou até à banheira, apressadíssima, esqueço-me que estou hiper atrasada e relaxo durante 20 minutos (sem dizer asneiras). Roupa, que roupa vou levar? Tinha que ter passado a ferro ontem… tinha que ter lavado a roupa do fim-de-semana… e agora? Corro de um lado para o outro e chego ao desespero de procurar meias dentro da máquina de lavar (pode ser que lá estejam algumas da ultima vez que lavei roupa). Visto qualquer coisa, ponho leite a aquecer (hábito bom… adquirido por ter partilhado a casa com uma amiga minha), faço uma sandes e lavo os dentes… (hábito mau… já me disseram que o normal é lavar depois de comer). Como, procuro relógio (há-de estar num sitio obvio), chaves de casa, chaves do carro… fecho a porta. Abro a porta e confirmo que não deixei o bico do fogão ligado… Fecho a porta. Desço as escadas a correr e a dizer mal de mim própria. Procuro o carro. Lá está ele…
Uma hora atrasada… velhote a conduzir. Devia ser proibido esta gente andar por aí, o meu carro não aguenta uma segunda atrás deste gajo. Rotunda. Oh não! Carro de escola de condução… tenho que tentar passar primeiro. Boa! Consegui. F***-se, onde será que este panasca aprendeu a conduzir? Socorro!Lugar… vá lá um lugarzinho… que grande merda, vou dar a volta… Ficas aqui e logo se vê. O pior que me pode acontecer é rebocarem o carro.
Apanho transporte, ando 10 minutos a pé e finalmente chego ao emprego… merda, sou mesmo parva, tão tarde… muito envergonhada e muito chateada comigo, vou para o meu lugar. Confirmo que não fui vista por muita gente e pergunto se tenho recados… há sempre alguém que chegue a horas…
Analisando esta merda: Se não fosse tão preguiçosa e acordasse uma hora mais cedo, não me chateava com o mundo todos os dias, não insultava velhotes, não excedia limites de velocidade, vestia-me melhor, tinha tempo para aqueles cuidados diários nomeadamente cremes hidratantes e isso, não me sentia envergonhada perante colegas cumpridores… Enfim era muito mais feliz!

Publicado por Magnólia em 06:37 PM | Comentários (1)

abril 23, 2004

história

João e Ana chegaram ao bar do costume. Casados há uns anos, aparentemente felizes, eram aquele casal que todos invejavam.
No meio de “olás” e beijos, sentaram-se com os amigos com que normalmente estavam. Desta vez também lá estava a Marta. A Marta era uma rapariga bastante bonita e divertida..., divorciada há vários anos de um tipo estranho, conseguira criar 2 filhas sozinha com a ajuda dos pais. Apesar da sua beleza e simpatia, e apesar da sua aparente disponibilidade, e apesar de vários homens interessados, nunca mais se conhecera outro homem na sua vida desde o divórcio.
Ana sabia que a Marta e o João eram amantes... nunca tivera razões para pensar isso, nunca houve um indício dado pelo companheiro, nunca houve uma falha, nunca houve um atraso, nem mesmo quando ia buscar o filho ao infantário... No entanto sabia-o!
Nesse dia a Marta teve um comportamento diferente. Falou dos homens da sua vida!. Confessou à Ana que teve um amante, disse-lhe a profissão, queixou-se do pouco tempo que passavam juntos, falou-lhe dos seus planos, e falou-lhe do abandono do tal amante... O João corou, fingiu falar com outros. Ana não queria acreditar... porquê aquela conversa depois de tanto tempo? Sentiu, que de certa forma tinha que fazer algo... o fantasma da “outra” já adormecido, já aceite, tinha sido acordado... Não sabe porquê mas a Marta queria que ela soubesse o que sabia há muito tempo... e a noite continuou com confidências e sorrisos e brincadeiras e conversas...
João e Ana voltaram para casa, dormiram juntos e acordaram abraçados como todos os dias, mas ela sabia que a partir daquela noite o destino deles ia mudar... tinha sido obrigada a analisar a sua vida, se era esta relação que queria, tinha sido obrigada a olhar o seu homem e para o seu filho de forma diferente. Tinha que decidir sobre o futuro do seu filho, os valores que lhe queria transmitir...
João continuava a sua vida, tinha escolhido à muito tempo ser só de uma família, ter só uma mulher, a sua, ter só uma casa e uma amante... não queria sequer ouvir falar de outra mulher, amava Ana mais que tudo, e talvez por isso nunca teve coragem de referir a infidelidade com Marta... Imaginava discussão, lágrimas e essa visão matava-o.
Um dia, talvez um mês depois daquela noite, numa segunda-feira João acordou e a casa estava vazia... só um bilhete: “o meu amor não foi capaz de superar a tua traição...”

(talvez esta história tenha um fim...)

Publicado por Magnólia em 06:27 PM | Comentários (1)

abril 22, 2004

Jantar de "gajas"

Hoje fui mais uma vez jantar com um grupinho de amigas que mantenho há vários anos. Não sei quando é que estas reuniões tiveram inicio, nem me lembro do primeiro jantarinho… mas que é um facto é que já aconteceram 2 ou três casamentos e outras tantas “uniões de facto”, dois bebés, um com 14 meses e outro com 8, alguns desgostos mais ou menos graves, algumas operações, casas compradas, carros novos, ascensões profissionais, enfim…
É bastante engraçado o facto de, independentemente de filhos ou maridos, ou o que for, estas mulheres continuam a conviver, a falar mal dos homens e dos seus novos caprichos e novas colecções (sim! Eu também tenho teorias em relação às “colecções de cromos” que o sexo masculino insiste em manter), a mostrar fotos disto ou daquilo, e a confessar as vivências de cada uma à volta de uma mesa…
Sinto-me abençoada por ter amigas, que embora muito mudadas, todas nós, continuam a confirmar a sua presença nestes encontros…

Publicado por Magnólia em 12:42 AM | Comentários (1)

abril 19, 2004

Gostava tanto que viesse o bom tempo…
É que no próximo sábado vou participar num exercício de orientação (e que seja o que Deus quiser!) na serra do caldeirão e assim aproveitava e ficava pelo Algarve e fazia um pouquinho de praia…

Publicado por Magnólia em 06:03 PM | Comentários (1)

Esta sim, é para ti...

Lembras-te do jardim atrás da lojinha do pai? Da nespereira? Lembras-te de quando passávamos as tardes das férias de verão a fazer alpinismo do primeiro andar até ao chão? Lembras-te de quando caíste da janela da casa de banho até cá abaixo?
E das mousses de chocolate inventadas, e dos rissóis que davam cabo da cabeça da mãe? E das surpresas que consistiam em (des) arrumar a casa às escondidas. Não te podes esquecer dos banhos tomados às 4 da manhã, em pleno Inverno, naquele alguidar verde que já não existe. “Estou com frio”, dizias tu, tão pequenina e encolhida. “Cala-te mana! Assim a mãe não sabe que fizeste xixi…”
E quando partilhamos o quarto? As discussões porque usei isto ou aquilo. Lembraste que só aspirava a minha metade do quarto? As zangas e os ódios “para toda a vida”.
São tudo coisas que nos unem…
Confesso-me culpada pelo primeiro cigarro que fumaste… confesso-me culpada por não acreditares nas pessoas. Ás vezes também por não seres tão feliz quanto eu o desejaria…
Desculpa se te ensinei a desconfiança. Desculpa se te ensinei a olhar para o lado e a sofrer pelos outros… Viste como só nós duas sentimos a ansiedade e o pânico de cada uma de nós, e viste como só nós duas vimos as lágrimas invisíveis do nosso pai? Admiro-te tanto por isso... Nem toda a gente é assim… nem toda a gente presta atenção…e acredita pode ser muito cruel para nós “o olharmos para os outros”.
Zangada contigo, eu? Não tenho razões nem entendo a tua duvida… nem acredito que isso venha a acontecer.
Só se a vida nos transformar muito…

Publicado por Magnólia em 04:23 PM | Comentários (4)

Ando contigo à noite, nestas ruas que tão bem conhecemos, tantas recordações, de tantas épocas… muitas cruéis.
Dançamos os dois a dança do costume, uma dança sem música, triste! Só os dois. Mudos, cúmplices, companheiros… comunicamos através do silêncio.
Conheço tão bem os teus defeitos, conheces as minhas lágrimas. Essas lágrimas que não divido com mais ninguém.

Publicado por Magnólia em 12:38 AM | Comentários (2)

abril 18, 2004

Desabafo!

Estou arrependida! Arrependida de fazer bem, de ajudar, de ter sido amiga…
Quando nos arrependemos é por algo que fizemos mal, mas eu não… eu arrependo-me de ter feito tudo bem, a quem não merecia… é um arrependimento maior!
Confesso que te julguei mal, achei-te boa…

Publicado por Magnólia em 06:28 PM | Comentários (2)

abril 17, 2004

"Mulher de sonho"

Hoje estou mesmo com um mau feitio desgraçado…
Acordei tardíssimo com aquela sensação de que perdi alguma coisa… eu até gosto de dormir, acho que é dos melhores prazeres que posso ter, mas acordar às duas com um telefonema do género “vamos beber um café ou fazer qualquer coisa… mas tem que ser já!”, quando nem sequer ainda consigo dizer uma palavra… Obviamente o “café” ou “qualquer coisa” ficou adiado, e por isso tomei banho nas calmas, comi, e como não me apeteceu fazer nada, acendi a televisão. Fiquei a ver uma coisa chamada “mulher de sonho” ou “sonho de mulher” (nem sei), que acho que é um concurso tipo miss Portugal, onde raparigas dos 18 aos 23 anos (concorrentes) eram humilhadas de uma forma incrivelmente cruel. Fiquei chocada! Como é que é possível alguém se sujeitar a uma humilhação destas… isto dá cabo do ego mais elevado! E o que é que estas moças têm na cabeça? Mesmo com essa idade era rapariga suficiente para sair da sala ao primeiro comentário “menos próprio” que ouvisse. Essa de “quando se quer muito uma coisa, aguenta-se tudo…”, não é para mim. Existem mínimos!
E o papel do jurí, qual é? Encher os hospitais com meninas anorécticas? Bocas do género “és muito gorda” ou “gosto das tuas perdas e dos teus braços fininhos, mas a tua cara…”, “vieste de onde? Então volta para lá que não estás a fazer nada aqui.” Ou “vocês não têm espelho em casa?”, deixou-me louca! Não sei para eles o que é uma mulher de sonho. Para mim uma mulher de sonho tem que ter, pelo menos, carácter suficiente para não se sujeitar a isto…

Publicado por Magnólia em 05:19 PM | Comentários (0)

abril 16, 2004

Presentes!

Vi o meu presente, se tivesse feito outra opção no passado.
Vi-o e senti-o, falei com ele, e achei-o um bom presente que não recebi.
Tenho outro! Não é pior, nem melhor. É diferente!

Quando optei não pensei, nem imaginei como seria o futuro.
Quando optar, quero ter a certeza que vou ter o melhor presente!

Publicado por Magnólia em 04:22 PM | Comentários (0)

Xana e Fabio

Fui levar a minha irmã mais nova ao aeroporto hoje de manhã… vive em Londres há cerca de 3 anos… é incrível o que antes parecia um adeus, agora sinto só como um até já!
A distância, somos nós que a sentimos e eu não vos sinto longe!

Publicado por Magnólia em 03:01 PM | Comentários (0)

abril 15, 2004

Fim do dia!

Vou até à esplanada num final de tarde. Procuro uma bebida fresca, muito sossego e o sol que não tarda nada irá embora… Estou nesta paz, com o livro quando avisto um conhecido meu, acho que Diogo, que já não via há algum tempo:
- Olá! Tudo bem?
- Tudo. E Tu? O que tens feito?
Sei lá o que hei-de responder… nem sei há quanto tempo não nos víamos… a única coisa que me lembro deste tipo é que é chato como o caraças.
- Nada de especial… o de sempre…
Não, agora não vou perguntar o que é que ele tem feito, porque assim não me livro deste gajo e quero mesmo continuar sozinha com o meu livro e com os últimos raios de sol…
- Então, já casaste? Tens filhos?
- Não. Ainda não!
Eu juro que não lhe vou perguntar nada…
- Olha! Eu divorciei-me da Carla, comprei uma casa, que confesso que não estava em muito bom estado, e estou a morar perto daqui…
Socorro! Eu não quero saber nada do que este tipo tem para me contar… e blá, blá, blá…
- Posso fazer-te companhia?
Eu prometo que nem respondi. Quando dei por mim, ele já estava sentado.
- Vê lá que tive que mudar a canalização da casa de banho…. O gajo que me vendeu a casa…
Porque é que há tipos assim? Será que ele não vê? Eu estou completamente furiosa… não quero saber nada disto, não lhe ligo nenhuma, olho para todo o lado menos para ele… admiro a pouca (ou nenhuma) perspicácia que alguns têm…
- … e depois os tubos da placa não eram de inox…
Não! Por favor… uma gaivota sempre podia cagar em cima deste tipo… e blá, blá, blá… uma bosta do tamanho do mundo… era porreiro!
- … e nem sabes o que aconteceu quando tentei pôr os armários novos na cozinha…
Ou podia tentar incendiar-lhe a manga do casaco sem querer… com sorte ficavam só as cinzas… caladas, mudas.
- … e quando me divorciei por causa do puto, tive que arranjar a cama dele… e as buchas… e a parede toda picada…
A Cabeça dele podia explodir…
Eu não acredito, aliás é impossível não reparar que a ULTIMA coisa que me apetece e ter aulas de como arranjar a canalização de uma coisa ou da casa de banho ou a electricidade de uma casa… merda!
- Bem, vou indo. Foi agradável falar contigo, temos que nos encontrar um dia destes.
- Tchau (não me peças o nº de telefone que eu juro que te dou um tiro aqui)!
Ufa! Bem vamos lá voltar à vidinha boa longe deste chato… não posso crer, já é noite… espero que expludas!
Arrumo as coisas para me ir embora… oiço o meu nome…
- Olha! Era giro trocarmos de telemóveis não achas? Gostei tanto de estar contigo e tens que conhecer o meu cantinho…

Publicado por Magnólia em 09:05 PM | Comentários (3)

abril 13, 2004

O amor da minha vida!

Mais uma vez não me apetece escrever… apresento-vos o meu afilhado mais novo, que nalguns dias é a única coisa que importa!

Publicado por Magnólia em 08:20 PM | Comentários (1)

abril 11, 2004

Magnólia


foto de Fabio Michelucci

O que vêem é o que sou, porque quero ser…
Não porque seja… e eu mostro o que quero ser e não o que sou
O meu nome é o que eu escolhi “Magnólia”, porque quis…
Não é o nome com que nasci!

Publicado por Magnólia em 10:33 PM | Comentários (1)

abril 10, 2004

Capítulo acabado

Hoje falaste como se tivesses terminado um capítulo a que deste o meu nome… e eu não fiquei triste!
Talvez um dia destes escreva sobre isso.

Publicado por Magnólia em 11:46 PM | Comentários (3)

abril 08, 2004

blogs

Tenho que fazer uma confissão! Quando falava com um amigo meu sobre a blogosfera (acho que é isso que chamam ao conjunto de pessoas que escrevem e lêem blogs), ele dizia-me que a maioria das pessoas que pertenciam a este mundo eram “doidas varridas”. A minha irmã comentou também que era muito triste passar o tempo à frente de um computador a escrever e a comunicar com outros quando, combinar um cafezinho ou um cinema é uma forma de vida social muito mais saudável. Fiquei preocupada porque confesso que sou uma pessoa bastante normal, com um emprego, com amigos (reais e não virtuais), amigos com quem posso falar, beber o tal café e até abraçar (sem precisar de computador). Por isso acho que não me enquadro na categoria de “doida varrida”, nem passo a vida à frente de computadores por falta de vida social, ou para conhecer alguém.
Resolvi ir ler alguns blogs e cheguei às minhas conclusões. É muita a variedade, desde os blogs temáticos (exemplo música); aos de poesia; aos de fotografia; aos de opinião, passando por qualquer coisa parecida com diários; aos de “auto promoção”, onde rapariguinhas tiram fotos nuas e falam de sedução e erotismo, sem saberem do que falam, confundindo com engate barato e exibicionismo, tendo obviamente aspirações a “figura pública”; acabando com aqueles de meninas que imploram a pena dos outros, que anunciam a tristeza e a despedida para ouvir palavrinhas agradáveis dos amiguinhos virtuais e que, agora que supostamente voltaram, comentam os dos outros anonimamente. Enfim há de tudo. Um dia destes li um comentário, que não era mais do que uma ofensa à autora desse blog. Fiquei chocada! A pessoa era tão desagradável, tão má e adivinhem… anónima. Outra coisa que também acho engraçado, é o facto de a parte destinada aos comentários de determinado post servir também para as meninas se agredirem, sem terem respeito nenhum por quem escreve naquele espacinho, esquecendo-se (ou não) que outras pessoas também lêem…
Mas nem tudo é mau… há blogs que gosto e por isso não acho que faça parte de alguma coisa onde toda a gente é maluca…

Publicado por Magnólia em 08:04 PM | Comentários (3)

motivação

Ontem falei com um colega meu acerca da dificuldade que tenho para me levantar de manhã. Nem sempre fui assim. Lembro-me que quando estudava, tinha aulas às 8 da manhã, o que me obrigava a apanhar um autocarro às 7.05 da madrugada, e era a primeira a levantar-me, depois acordava a minha mãe, que acordava o meu pai e por aí em diante até à 2ª irmã. Em três anos falhei (atrasei-me) duas vezes. Lembro-me também que quando comecei a trabalhar, levantava-me pouco mais tarde… e não era este sofrimento de hoje. Tento justificar o que mudou em mim… e no meio desta procura de razões lembrei-me de um rapaz com quem saí faz algum tempo. Nessa altura, e durante alguns anos, passavam-se os fins-de-semana sem eu ver a luz do dia. Basicamente saía 6ª à noite, tomava o pequeno almoço e dormia durante o dia. Sábado o ritual repetia-se. Quando confessei a esse rapaz que não me sentia muito bem com a vida que levava, que deveria tentar acordar de manhã, que devia aproveitar o dia, ele respondeu: “acordar cedo?? Para fazer o quê??”. Achei tristíssima a resposta dele, falava como se, estar acordado não valesse a pena, que não havia motivo nem motivação para o fazer… Agora percebo, custa-me acordar porque não tenho motivação, porque quando acordo é para ir trabalhar, e confesso que já fui mais feliz profissionalmente.

Publicado por Magnólia em 03:37 AM | Comentários (0)

Foram várias as razões que deram origem a este blog. Eu já lia dois ou três, achei a ideia gira, e falei com o meu amigo clash. Basicamente o objectivo era escrever (eu tinha também uma razão mais pessoal que optei por não partilhar). Escrever sobre nós, sobre outras pessoas e suas histórias, discutir o que nos viesse à cabeça e o mais importante, como ele viagem imenso e por longos períodos de tempo, termos sempre notícias um do outro, nem que fosse por aqui. A possibilidade de haver algum “feedback” de pessoas que viessem cá parar era um incentivo a acrescer.
Ultimamente ele tem estado um pouco ocupado e não tem tido tempo para investir um pouco neste cantinho… Ontem desafiou-nos com uma bandeira branca…
Ora bem, querido clash… as pessoas associam a bandeira branca a rendição, a perda, a derrota, à desistência num confronto… e eu “assim não brinco”, não sou mulher para isso!
Vamos pensar que a bandeira que escolheste, não é o reconhecimento da derrota ou a rendição, é o evitar o confronto e a guerra. È o desejo da paz… Essa eu mesma iço…

Publicado por Magnólia em 03:21 AM | Comentários (0)

abril 07, 2004

o devido....


Publicado por Clash em 04:08 PM | Comentários (1)

abril 06, 2004

Reencontro

Entrei no sítio do costume. Mais uma vez fiquei a fazer serão no emprego e mais uma vez não tinha tido tempo para jantar. Cumprimentei o João e perguntei o que tinha para comer.
-“Sobrou um pouco de jardineira do nosso jantar. Queres? De resto só tenho tostas, hambúrgueres e pregos.”
Serviu-me um prato de jardineira e uma imperial.
Enquanto comia tentava lembrar-me de como conheci este bar, bastante familiar, decorado de uma forma pobre, sem pretensões, sem aquelas luzes habituais, agradável, sossegado. Não me lembro da primeira vez que aqui entrei, mas sinto-me em casa!
Quando o João não está no palco, a música está sempre baixa e ele conversa com os clientes habituais que estão sozinhos.
Ontem entrou uma senhora que eu nunca tinha visto por ali; a rondar os 35/ 40 anos, um pouco forte, calças de ganga e t-shirt preta, rosto simpático mas tímido. Cumprimentou a maioria dos clientes e abraçou o João. Ficaram os dois colados vários minutos. Depois, dado não haver mesas livres, sentou-a comigo e perguntou-lhe: -“ainda cantas?”
Ela disse-lhe que não subia ao palco desde que a filha tinha nascido.
O João levou-a para o palco e pegou na viola, tocou umas notas, ela respondeu com um sorriso. Depois cantou, como eu nunca ouvi cantar ninguém. O som dela espalhou-se pela sala, enfiou-se dentro da minha espinha e debaixo da minha pele. O bar parou para ouvir, os clientes sorriam, a senhora do João bateu palmas comovidas. O João pára de tocar e olha para ela, de pé. Enquanto cantava as lágrimas encheram-lhe o rosto e o som da garganta dela fez-me chorar também.
Não sei porque chorei, não foi a letra da música que me comoveu, nem de lembro do que cantou. Talvez a sua história, que eu nem conheço, talvez a história que imaginei para ela. Uma certeza tenho, ela abraçou o palco, como se fosse um amigo que não via há vários anos, e eu fico triste quando alguém é obrigado a abandonar os seus amores, mesmo que a razão sejam outros amores e comovida nos reencontros.

Publicado por Magnólia em 07:42 PM | Comentários (0)

abril 05, 2004

Manias

Este Sábado comprei uma mesinha de cabeceira sem tratamento. È incrível como é que eu continuo a pensar que tenho jeito para estas coisas… Estou nesta casa há ano e meio e continuo a ter um quarto cheio de pó, com móveis destruídos (por mim), outros tirados de garagens de velhotes que vou conhecendo, todos eles cheios de planos… Isso origina a que a minha sala esteja cheia de fios de computador e impressoras, que o chão do hall esteja sempre cheio de pó da lixadeira eléctrica e que eu continue a não ter o escritório (e quartinho para receber amigos). Implica também bastante falta de espaço para arrumar roupa e livros… Este fim de semana que vem aí é de 3 dias e meio… queria muito ter paciência para acabar de decapar as escadinhas (de beliches antigos de uma pensão perto do Porto) cujo objectivo é ser um toalheiro, para finalmente deixar de pôr as toalhas na maçaneta da casa de banho. Queria também acabar a mesinha de cabeceira.
Mas porque é que eu ainda tenho a mania que gosto do fazer estas coisas???

Publicado por Magnólia em 08:22 PM | Comentários (0)

abril 04, 2004

Hoje quando acordei (bastante tarde) liguei a televisão e fiquei colada a um documentário sobre golfinhos que ajudam crianças com problemas de vários níveis.
Uma das crianças foi absolutamente “normal” até aos 4 anos e depois ninguém sabe porquê deixou de comunicar com o exterior. O objectivo, era inverter esta situação e obriga-la a escolher (a dizer, a apontar a resposta “sim” ou “não”) o que queria fazer. No final de dois dias este menino já escolhia a resposta, comunicava gestualmente e até dava beijinhos às terapeutas…
Outra criança tinha paralisia cerebral e tinha uma postura encolhida o que dificultava a comunicação e a aprendizagem. O objectivo era despertar o interesse pelo golfinho de forma a ela olhar para ele e usar os seus músculos para manter as costas direitas. Também neste caso a evolução foi positiva e a felicidade da menina muito evidente.
Sempre tive vontade de trabalhar com crianças, e a vida destas pessoas, a profissão que escolheram e os resultados que alcançam todos os dias, faz-me pensar que a profissão que tenho não faz qualquer sentido…

Publicado por Magnólia em 02:03 PM | Comentários (1)