"Força de vontade"
Um dia destes vou precisar disso... Alguém sabe onde posso ir buscar?
È impressão minha ou o tempo que estamos de férias passa muito mais rápido do que no resto do ano?
Da próxima vez levo o relógio, só para confirmar que não há batota aqui e que os ponteiros não andam incompreensivelmente muito mais depressa…
Neste curto espaço de tempo, vi dois filmes que sugiro: “Má educação” e “ O despertar da mente”.
“Nunca senti qualquer dificuldade em distinguir a fantasia da realidade. O problema, muito diferente, residiu sempre em conseguir estabelecer a distinção entre fantasia recordada e realidade recordada. Sempre soube ver a diferença entre o que havia inventado e aquilo que tinha realmente observado e vivido. No entanto, à medida que os anos vão avançando, torna-se mais complicada a distinção entre os factos reais e os inventados. A memória não dispõe de compartimentos onde se armazene o que foi visto, o que foi ouvido e o que é apenas fruto da nossa imaginação.”
O vendedor de histórias, Jostein Gaarder
Sempre tive a "pancada" de escrever quando qualquer coisa de importante acontecia, normalmente quando estava mais triste ou furiosa com alguém. Era uma forma de me passar a raiva, de desabafar, de racionalizar ideias e sentimentos. E às vezes até fazia chegar as folhas à pessoa que tinha magoado…
Sempre tive a noção de que, de alguma forma, esquecemos a intensidade das coisas que nos acontecem…
Posso pensar numa altura ou momento em que fui muito feliz, mas logo relativizo essa felicidade porque houve outros momentos felizes posteriores que de alguma forma me fazem esquecer a intensidade daquele… Posso igualmente pensar numa altura muito infeliz, a qual também será abafada com o tempo e por outras…
Se esses momentos forem gravados numa folha ou num caderno, posso sempre saber com que intensidade vivi cada situação, ao que dei importância no momento, o que mais me magoou. E posso posteriormente achar ridículo, e posso gozar comigo, achar que não tinha razão nenhuma… mas vou conseguir reviver esses sentimentos como eles foram e não de como me lembro deles…
Lembraram-me recentemente que também quando ia de férias levava um caderno para escrever. Quando chegava, dava as folhas que tinha escrito a alguma amiga ou amigo… Esse caderno não era um diário, aliás nunca o tive, era apenas como se fosse uma carta a contar o que se tinha passado, mas com mais folhas, enviada por mim própria no regresso…
Acho que voltar a ler e a sentir uma altura da minha vida, no futuro, é uma das razões pela qual mantenho este espaço, juntamente com o Clash!
Hoje ouvi dizer a um amigo qualquer coisa do género:
“Mais vale um gajo fazer uma ou duas ou várias mulheres felizes do que uma infeliz”
Sem comentários!
Não consigo pensar noutra coisa… só trabalho mais dois dias. Depois, férias!
Confesso que estou mesmo a precisar… até lá tenho que preparar o trabalho para quando voltar, fazer umas “piscinas” até ao aeroporto para ir buscar e levar amigos e família, fazer umas compras, para não falar em arrumar a casa (as pessoas que me conhecem não esperam muito de mim nesse aspecto) …
Pois é, como sou considerada uma pessoa má e bastante cruel, deixo uma provocação para os mais invejosos… Depois só volto em Junho… Até lá, paz e sossego, piscina e praia, livros e compras, copos e amigos… Sem relógio, nem despertador, nem computador…
Para quem gosta de música, de poesia, de histórias, de irreverência… O Elvis Costello está por cá! Destaco a crítica em “Miss Macbeth”, a solidão de “Baby plays around” e claro, a beleza e a simplicidade de “She”.
Gosto do sítio onde moro, gosto das prédios baixinhos, gosto dos casais a passear à tarde, gosto dos jovens que se juntam nos 3 ou 4 cafés daqui. E gosto dos dois cavalos que costumam estar num descampado ao lado da minha rua. Gosto de olhar para o rio do meu quarto e gosto desta minha casa. Gosto do som dos pássaros que vêm à janela do meu vizinho de baixo para receber a prenda que ele tem para eles. Gostei hoje de manhã de ver uma mãe a acalmar um filho que chorava porque queria apanhar a bola que insistia em fugir e descer a rua…
Cada vez mais gosto de ficar em casa… Fui há pouco beber um cafezinho e comprar tabaco e vesti logo o pijama… é incrível como cada vez mais gosto de pijamas!
Hoje fui almoçar com um amigo de infância. Não nos víamos há alguns anos, é verdade… mas na idade da adolescência os amigos que fazemos ficam para toda a vida! Mesmo que a vida nos separe por um ou outro motivo… Passados os anos, apesar da vontade, é cada vez mais difícil encontrar motivos para o reencontro!
Andávamos sempre em grupo, saímos todas as noites para o mesmo sítio, partilhávamos cábulas e trabalhos de grupo (as duas meninas faziam e os rapazes “encostavam-se”), dividíamos semanadas e trocávamos cumplicidades… o futuro, não existia…
Fala-se no desconforto de não ter nada para dizer, aquela sensação que a pessoa já não nos diz nada e que a nossa relação é baseada no passado. Não senti nada disso… senti-o perto como antes. Contou-me a sua história, contei-lhe a minha…
Neste Domingo, sem motivo, combinámos ir ter com os outros… Sei que alguns ainda se reúnem para jogar à bola no mesmo sítio de sempre (apesar da barriga) …
Não sei porquê, mas, há já algum tempo que sei que a minha vida está a mudar e eu fico à espera.
Sinto-me protegida pelos deuses… Sei que vem aí algo de muito bom…
O quarto era grande. Duas camas juntas no centro de uma parede, dois cadeirões separados ao lado de cada uma. Na outra parede um espelho…
E ali estávamos. Um em frente do outro, sentados naquele tecido vermelho, sem palavras. Tínhamos chegado tarde, tínhamos dormido e quando voltámos ao quarto, depois do pequeno-almoço, ali ficámos. A olhar um para o outro. Eu chorava em silêncio, tu olhavas-me calado.
Sabíamos que estávamos a escrever o último episódio de um livro, de um romance bonito que nos aconteceu. Tentei lembrar-me das primeiras páginas, do momento em que te conheci. Pensei na nossa casa, que outrora era nova e motivo de tantos planos. Pensei nas compras juntos, nos sorrisos, nos sonhos, nas discussões, nos ciúmes. Pensei no tempo em que vivemos os dois. Juntos. Tentei lembrar-me dos fins-de-semana que marcámos quando ainda éramos felizes, e os outros posteriores… para fingirmos que ainda éramos casal, para nos enganarmos, para prolongarmos o texto da última página.
E ali ficámos naquela conversa sem som.
Olhei para o espelho, vi-nos. Nos sofás separados, sentados a olhar de longe um para o outro… Eu continuava a chorar em silêncio, tu continuavas calado.
Pensava no nosso presente e no nosso futuro, pensava se valeria a pena uma última conversa… até que tentei:
- Queres falar?
- Quero.
Aconselho vivamente uma “escapadinha” de fim-de-semana à aldeia do Piódão, no concelho de Arganil. Fiquem hospedados na Estalagem do Piódão do Inatel, façam alguns quilómetros na serra do açor e desfrutem de uma vista lindíssima e grandiosa.
No Piódão reparem nas pequenas cruzes pregadas em cima das portas das casas, perguntem aos locais o significado. Sugiro também um almoço na Quinta da Geia, um restaurante na Aldeia das Dez.
Quando voltarem, agradeçam-me a “dica”!
(fica a promessa de fotos)
Faz hoje muito tempo que aqui estou!
Continuo presa, onde me deixaste.
Neste lugar escuro, triste e sem esperança… sem janelas nem vida!
Prometeste um palácio e deste-me a prisão.
Prometeste amor e deste-me solidão.
Lembro-me das tuas costas cruéis que me abandonaram... quase morta.
Mas em muito tempo tudo muda!
Já não espero que voltes… nem quero.
Curei sozinha as feridas,
Fabrico a minha liberdade todos os dias.
Tu não sabes! Ainda me julgas presa,
Mas já vejo um pouco do sol e da lua…
E quando voltares, meu carrasco.
Serei uma mulher livre!