O Sol que entrou no meu quarto e me acordou,
O som da água do chuveiro,
Os meus passos apressados enquanto me visto e arrumo a mala…
(…)
As músicas da rádio que não oiço,
Uma sopa e o som de uma caixa registadora de uma estação de serviço a meio da viagem,
Uns rascunhos escritos a lápis que entretanto rasguei,
Um pedido secreto e a viagem continua… a dança harmoniosa dos carros.
Mais logo…
… O som do teu sorriso e do teu abraço enquanto pouso a mala…
(Estes são silêncios que gosto)
... de pessoas que se acham melhores que os outros…
(Para esses que só revelam cobardia e cinismo… todo o meu desprezo.)
... longe de casa.
Cheguei a esta terra triste pela segunda vez. A viagem correu bem... Imaginei histórias, recordei sorrisos de quem não digo... Sorrisos sinceros, como todas as lágrimas e todos os abraços de quem não soube fingir enquanto viveu connosco. Foi engraçado verificar como os Deuses pintam os nossos céus de cinzento e de como esse cinzento esconde o plano que está mais longe e o transforma em sombras... Imaginei coisas fantásticas para passar o tempo, para tornar esta viagem menos aborrecida...
À noite voltei a este quarto... Gosto deste quarto!! Aliás gosto de todos sítios a onde regresso ao fim do dia... Assumo-os como casa! Daqui a pouco vem o jantar que encomendei... E o serão vai ser a trabalhar.
... quando não ficas comigo, durmo com a luz acessa ?

... de voltar a este sítio!!
(Estou a precisar muito deste encanto)
… Mudei o meu quarto para aquela janela.
Agora somos dois que partilhamos este espaço que construímos… e dividimos o quente da madeira, a alegria das cores, as histórias dos livros que colocámos na estante montada. Agora somos dois que dividimos as janelas e a vida dos outros, as luzes dos candeeiros que vivem de noite, os pássaros que nos visitam logo de manhã, a música sempre agradável do vizinho… Agora somos dois que dividimos o rio…